Cinco perguntas para o protagonista de Tropa de Elite 2

Por que voltar ao filme? Ficou algo em aberto no primeiro?






“Tropa de Elite” é um filme político, traz uma discussão que me interessa, sobre violência e segurança pública. Há muito ainda a se falar sobre esse assunto, um dos mais urgentes. Poderíamos fazer "Tropa de Elite 10" que não faltariam questões. Mas o filme transcende a política. É um produto de cultura de massa cuja primeira parte teve grande reconhecimento artístico.



Como construir um arco dramático e torná-lo crível para um personagem tão idolatrado e já incorporado ao imaginário coletivo como o Capitão Nascimento?



Nascimento é o mesmo cara, só que 13 anos mais velho. É e não é a mesma pessoa. Ele é mais consciente agora, por uma necessidade dramática e por uma questão de idade. Esse filme traz um personagem que passa a compreender o seu papel no jogo, que entende, não sem muito sofrimento, que sempre foi apenas uma peça a mais do quebra-cabeça caótico que é o sistema de segurança pública brasileiro.



Como foi trabalhar novamente com o José Padilha e boa parte da equipe de novo?



O Zé (Padilha) é um grande parceiro. Um diretor que sabe ouvir sua equipe e seus atores e que fez questão de reunir basicamente a mesma turma para a segunda parte do filme. Ele gosta desse negócio de turma. Rafael Salgado, Leandro Lima, Claudia Kopke e, claro, Braulio Mantovani e Daniel Rezende, que dessa vez trabalhou também no set. Uma galera que já sabia qual era o barulho do filme. O Zé é inteligente e o cinema que ele faz me interessa muito. Eu, ele e o Lula Carvalho trabalhamos muito bem juntos.



A questão da paternidade é forte no filme. O que um pai é capaz de fazer por um filho e como isso se constrói ao longo do filme?



A questão da família é, desde o primeiro filme, uma coisa complicada para Nascimento. O nascimento do Rafael detona toda a crise do personagem no “Tropa 1” e agora a relação dos dois é um tema importante do filme. O garoto já tem 13 anos, a história fica mais complexa. Ser pai certamente me deu ferramentas para entender melhor esse tipo de relação.



Nas entrevistas sobre “Tropa de Elite”, você sempre afirma que o filme o surpreendeu com sua repercussão, que você se via tendo que pensar e responder sobre coisas que não esperava. De que forma você acha que “Tropa de Elite 2” influenciará? Que tipo de debate ele vai provocar?



No primeiro filme o espectador via a forma promíscua com que agia um policial, mas a polícia é só a ponta de um iceberg gigantesco. Esse filme vai mais fundo. A polícia é massa de manobra de interesses que historicamente negligenciam as áreas pobres, favorecendo o aparecimento do tráfico e das milícias. Acho que as relações entre polícia e política vão dar material para um bom debate.

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