Pesquisa desfaz MITOS SOBRE ABORDAGENS POLICIAIS

O uso da força não-letal está presente na maioria dos encontros entre a Polícia Militar e seu público, a população. Os graus de força mais utilizados nesses encontros são a ação de presença e a comunicação verbal.


Foram registradas em vídeo 90 abordagens realizadas no ano de 2006 em uma localidade do município de São Paulo. A pesquisadora aplicou uma técnica inédita no Brasil na observação do desempenho operacional do policial militar, a Observação Social Sistemática (OSS), testada pela primeira vez em Boston (Estados Unidos), para pesquisar o trabalho policial, e em Chicago, também nos Estados Unidos, em 1995, para averiguar o crime. "Técnicas de OSS têm sido empregadas com o objetivo de observar o policial em suas atividades de rotina, sem que ele saiba que está sendo observado",




Durante as abordagens observadas, os policiais pararam 26 carros e 64 motos, ocasião em que os veículos e seus ocupantes foram revistados. As abordagens ocorreram durante ações policiais realizadas em locais com alto índice de criminalidade. Não houve nenhum flagrante. “Esses encontros ocorrem com muita freqüência. De acordo com os dados da Secretaria de Segurança Pública, em média, o flagrante de um fato delituoso tem probabilidade de um em 100 de ocorrer”, afirma as estatisticas




Outro fato que contraria o senso comum é a distribuição em termos raciais das abordagens. De 115 pessoas, 60% eram brancos, 30,5% negros e 9,5% de outras raças, por conta do uso do capacete em alguns motociclistas. “O que importa é o comportamento gerador de uma ‘atitude suspeita’”, o que direciona a uma grande problemática da abordagem policial, identificar uma “atitude suspeita”, a justificação do policial para efetuar a ação.“Não há estereótipo do criminoso”, completa os pesquisadores




A abordagem policial não é uma situação agradável. "Trata-se de uma ação interventora que causa impacto na vida dos abordados, mas o alto grau de violência faz com que o policial tenha uma atitude permanente de desconfiança”, diz. "Mas ele não esquece que a abordagem é uma ação com amparo legal. É dele a decisão de fazê-la";




fazendo a segurança se posicionar incorretamente, corre o risco de atingir o parceiro, caso tenha que fazer uso da arma de fogo. Ainda, se o policial que estiver fazendo a busca pessoal não abotoar o coldre durante a revista, o abordado tem maior possibilidade de tomar sua arma”. Uma postura que saia dos padrões recomendados pelos procedimentos, portanto, causa mais insegurança à própria atividade policial que vantagens de qualquer tipo.
*Essa pesquisa foi realizada em S. Paulo.

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